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Emilie Snethlage

Nasceu em 13 de abril de 1868, na localidade de Kraatz, na então Província da Brandemburgo, Alemanha, recebeu o nome de Henriette Mathilde Maria Elisabeth Emilie Snethlage. Foi naturalista, ornitóloga e exploradora alemã radicada no Brasil. Doutora em Ciências Naturais pela Universidade de Freiburg, chegou a Belém em 1905 para integrar o Museu Paraense Emílio Goeldi, onde se tornou chefe da Seção de Zoologia e, posteriormente, diretora da instituição, sendo a primeira mulher a dirigir um instituto científico na América do Sul. Realizou importantes expedições pela Amazônia, destacando-se a travessia entre os rios Xingu e Tapajós em 1909, e publicou o pioneiro Catálogo das Aves Amazônicas (1914), obra fundamental para a ornitologia brasileira. Sua trajetória tornou-se símbolo da contribuição feminina para a produção do conhecimento científico sobre a Amazônia.

Ficha biográfica

Nascimento: 13 de abril de 1868, Kraatz, Brandemburgo, Alemanha​

Falecimento: 25 de novembro de 1929 (idade 61 anos), Porto Velho, Rondônia, Brasil

Mãe: Elizabeth Rosenfeld

Pai: Emil Snethlag

Nome de solteira: Henriette Mathilde Maria Elisabeth Emilie Snethlage

Nome de casada: Não se aplica.

Cônjuge: Não se aplica.

Filhos: Não se aplica.

Formação e trajetória:

Naturalista e ornitóloga alemã, Emília Snethlage iniciou os estudos universitários em História Natural já adulta, passando pelas universidades de Berlim, Jena e Freiburg. Concluiu o doutorado em 1904, tornando-se uma das primeiras mulheres alemãs a alcançar essa titulação na área das ciências naturais. Em 1905, mudou-se para Belém do Pará para integrar a equipe científica do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde desenvolveu grande parte de sua trajetória profissional e científica.

Atuação profissional:

Ingressou no Museu Paraense Emílio Goeldi como assistente de zoologia e especializou-se no estudo das aves amazônicas. Realizou numerosas expedições científicas pela Amazônia, incluindo a travessia entre os rios Xingu e Tapajós, em 1909. Assumiu posteriormente a chefia da seção de Zoologia e, entre 1914 e 1921, esteve à frente do Museu Goeldi, tornando-se uma das primeiras mulheres a dirigir uma instituição científica na América Latina. Em 1922, transferiu-se para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, como naturalista-viajante, continuando suas pesquisas e expedições por diferentes regiões brasileiras até sua morte, em 1929.

Engajamento político:

Não há registros que permitam caracterizar Emília Snethlage como militante política ou integrante de movimentos partidários. Sua trajetória, entretanto, possui importante dimensão política relacionada à presença das mulheres nos espaços científicos. Ao ocupar cargos, realizar expedições e alcançar posições de direção em um ambiente predominantemente masculino, rompeu barreiras institucionais impostas às mulheres de sua época. Sua nacionalidade alemã também interferiu diretamente em sua carreira: durante a Primeira Guerra Mundial, com o rompimento das relações entre Brasil e Alemanha, sofreu hostilidades e chegou a ser afastada da direção do Museu Goeldi.

Obras:

Sua produção científica reúne mais de quarenta artigos publicados no Brasil e no exterior, especialmente sobre ornitologia, taxonomia e distribuição geográfica das aves. Sua obra de maior destaque é o Catálogo das Aves Amazônicas, publicado em 1914, no qual registrou 1.117 espécies. O trabalho tornou-se uma referência fundamental para a ornitologia brasileira durante décadas. Ao longo de sua carreira, Snethlage descreveu aproximadamente sessenta espécies e subespécies de aves e formou importantes coleções científicas.

Contribuições:

​Emília Snethlage teve papel fundamental na consolidação dos estudos sobre a avifauna amazônica e na compreensão da distribuição geográfica das aves na região. Seu trabalho combinava pesquisa de campo, coleta, classificação e análise biogeográfica. As coleções constituídas por ela permanecem relevantes para pesquisas zoológicas: somente no Museu Goeldi foram preservadas milhares de peles de aves coletadas e identificadas pela pesquisadora. Sua trajetória também representa um marco para a presença feminina na ciência brasileira, por ter ocupado posições até então praticamente inacessíveis às mulheres.

Homenagens:

Em 1926, foi recebida como membro da Academia Brasileira de Ciências e também integrou a International Society of Woman Geographers. Seu nome foi utilizado na denominação científica de diferentes espécies animais, perpetuando sua memória na taxonomia zoológica. Décadas após sua morte, o ornitólogo Helmut Sick dedicou a ela sua obra Ornitologia Brasileira, publicada em 1985. Em Porto Velho, Rondônia, Brasil, local de seu falecimento, foi erguido um busto de bronze em sua homenagem.

Referências

ALBERTO, Diana; SANJAD, Nelson. Emília Snethlage (1868-1929) e as razões para comemorar seus 150 anos de nascimento. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 14, n. 3, p. 1047-1070, set./dez. 2019. DOI: 10.1590/1981.81222019000300018. Disponível em: https://repositorio.museu-goeldi.br/handle/mgoeldi/1493. Acesso em: 11 ago. 2026.

MARASCIULO, Marília. Emília Snethlage: quem foi a ornitóloga pioneira em estudos na Amazônia. Museu Paraense Emílio Goeldi, 3 maio 2022. Disponível em: https://www.gov.br/museugoeldi/pt-br/a-instituicao/difusao-cientifica/museu-na-midia/clipping-de-noticias/museu-emilia-snethlage-quem-foi-a-ornitologa-pioneira-em-estudos-na-amazonia. Acesso em: 11 ago. 2026.

MELO, Hildete Pereira de. Emília Snethlage (1868-1929): ornitóloga. Pioneiras da Ciência do Brasil. Brasília, DF: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), [s. d.]. Disponível em: https://memoria.cnpq.br/web/guest/pioneiras-view/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/1144235. Acesso em: 11 ago. 2026.

Galeria

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Vídeos

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Defesa de doutorado. Diana Priscila Sá Alberto. EMÍLIA SNETHLAGE E HELOÍSA ALBERTO TORRES: Gênero, Ciência e Turismo na Amazônia do século XX.

Emilie Snethlage - O período Museu Goeldi

Emilie Snethlage - Mulheres na Ornitologia

Emilie Snethlage - Expedição “Emilie Snethlage”

Mais sobre ela

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Em busca de Emília Snethlage: mestranda reconstitui expedições no Ceará e estuda acervo.

em breve

Série “Feministas, graças a Deus” XXI – Uma alemã que amava a Amazônia: Emília Snethlage no Museu Goeldi

em breve

Localização

Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)

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